No país da bunda e fazer carnaval, É Proibido Ser gordo

Por Juliana Romano
Jornalista, Modelo Plus Size

Gordo e magro
A moda plus size no Brasil é uma piada. Não é deboche com os estilistas que realmente se esforçam para traduzir o universo fashion em uma grade maior. Mas em um país onde 48% da população feminina está acima do peso¹, conseguir contar nos dedos quantas lojas trazem moda para gordinhas -- veja, eu disse moda, não só roupas -- só pode ser brincadeira.
A moda plus size é um tabu. Um universo temido e inexplorado, que não pode ser discutido ou exposto em espaço público. Entrar em uma loja que tenha tamanhos grandes é uma vergonha, porque no país da bunda e do carnaval é crime ser gorda. Gorda tem que se esconder. Saúde é a desculpa geralmente, mas aqui só a saúde do gordo incomoda -- a do magro, mesmo que seja ruim, ainda é boa. Não se pode incentivar com roupas bonitas uma pessoa que não está com a saúde em dia, mas incentivar a anorexia diminuindo cada vez mais o tamanho das peças de cada numeração, isso pode!
A mulher plus size é obrigada a se anular, a se calar, a se submeter às escolhas do mercado sobre o que é melhor para si. E o melhor é sempre se esconder e ficar em um eterno estado de infelicidade. O que me surpreende de verdade é que em um país onde a moda faz parte de um dos setores que mais movimentam dinheiro e geram mais trabalho, sendo responsável por 3,5% do PIB², metade da população que a consome seja deixada no banco, esquecida. Mas quem sou eu para questionar? Sou só mais uma gordinha, que veste 50 e sofre para achar peças fashion que me sirvam.
1 dados da pesquisa Vigitel, que coleta informações para o Ministério da Saúde. 
2 Dados segundo a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção)
Fonte:.brasilpost

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